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CONSCIENTE: Moda pluz size quebra paradigmas e estereótipos valorizando as mulheres gordas

CONSCIENTE: Moda pluz size quebra paradigmas e estereótipos valorizando as mulheres gordas

Por Da redação.

CONSCIENTE: Moda pluz size quebra paradigmas e estereótipos valorizando as mulheres gordasReprodução

Yves Saint Laurent, um dos maiores estilistas do século XX acreditava que a moda “não é sobre deixar as mulheres bonitas, e sim permitir que elas recuperem a autoconfiança”. Sempre vivendo às avessas desse universo, as mulheres gordas, por um longo período, presenciaram a indústria da moda praticar o contrário do que o fundador da marca Saint Laurent achava do seu trabalho.

Mesmo com a falta de representatividade, o mercado plus size vem ganhando espaço a cada dia, fruto do aumento da demanda, dos movimentos organizados que passaram a cobrar da indústria roupas para todos os públicos e das redes sociais.

Em buscas das roupas G, GG e XG, a produtora cultural e blogueira Carla Galrão criou o perfil @GordaRoupa que garimpa peças encontradas em lojas de Salvador com o intuito de democratizar e facilitar o acesso das mulheres gordas a esses produtos.

A iniciativa surgiu após Carla se chatear em várias situações nas quais não encontrou peças do seu tamanho ou só encontrava roupas de malha. “Criei o perfil para mostrar outras opções. Mostrar que gordo pode sim andar na moda, usar roupas de maneira diferentes. É um lugar que você pode conversar sobre moda, mas também sobre a solidão da mulher gorda, sobre sobreviver nesse mundo gordofóbico. É moda, mas também é empoderamento”, revela.

MODA CONSCIENTE: Moda pluz size quebra paradigmas e estereótipos e valorizando as mulheres gordas

Carla Galrão criou o @gordaroupa para ajudar outras pessoas a encontrarem roupas do seu tamanho. Foto: Reprodução/Instagram

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Outra iniciativa desenvolvida por Carla é o bazar gorda roupa, que promove o consumo consciente e ajuda outras pessoas a encontrarem peças.  “Eu faço uma chamadas nas redes sociais e peço para me mandarem a quantidade de peças e o tamanho, para que não tenha muitas do mesmo tamanho. Então, vejo para que tenha a partir do número 46 até o 60, o máximo possível, para que todo mundo consiga encontrar roupa”, explica.

MODA INCLUSIVA E NÃO DIFERENCIADA 

Uma das principais reivindicações das mulheres gordas em relação às grandes lojas de roupa é a diferenciação que existe no segmento. Elas até introduzem o plus size nas vitrines, mas é um estilo que não agrada a maioria, geralmente não incluem estampas, nem dão outras opções de uso para quem tem o manequim de G para cima.

Foi buscando atender essa demanda  de quem não se sente representada que a consultora de estilo e influenciadora digital Kika Maia começou a trabalhar com curadoria e venda plus size. Nas várias tentativas frustradas em encontrar roupas, ela saiu de Salvador e foi atrás de fornecedores que a deixassem satisfeita. ” Fui atrás de uma moda que não é diferenciada. Não é porque é gorda que vai se vestir igual a uma senhora. Priorizo as roupas mais modernas, porém que atendam todos os estilos, da romântica até a executiva”, afirma.

MODA CONSCIENTE: Moda pluz size quebra paradigmas e estereótipos e valorizando as mulheres gordas

Kika Maia saiu da cidade para encontrar fornecedores. Foto: Reprodução/Instagram

AUTOESTIMA E EXPRESSÃO

A recente possibilidade de expressão através da moda que as mulheres plus estão tendo é um desdobramento de ações de empoderamentos e da autoaceitação do corpo gordo, promovido principalmente nas redes sociais. A democratização da moda em criar espaços para que essas mulheres encontrem roupas de diversos estilos atua também na autoestima.

Para Nara Cerviño, designer de moda e especialista em Comunicação e Cultura de Moda, essas ações contribuem diretamente para a construção da identidades dessas mulheres, já que com um registro visual bem desenvolvido, essas pessoas se fortalecem. “Antes, essas pessoas tinham uma possibilidade muito limitada de expressão. Se tinha poucas opções de roupas, sempre no mesmo padrão de pessoas mais velhas. Não existia a possibilidade de explorar tendências e isso criava paradigmas: o gordo não pode usar estampas, vestir preto. Quando na verdade a pessoa tem que se vestir com o que te faz bem”, ressalta.

Foi entendendo esse contexto que a estilista Cyntia Paixão percebeu que não vende somente moda praia na sua loja Cynd Biquínis, mas também amor próprio. “A gente acaba sendo uma psicóloga quando as clientes chegam até nós. Eu primeiro escuto os desejos delas, quais as dificuldades que elas têm. Para elas usarem um biquíni, um maiô é um desafio muito grande, então eu sempre as incentivo a tirarem fotos de corpo todo e postar nas redes sociais”, afirma.

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Cyntia Paixão trabalha desenvolvedores biquínis para mulheres plus. Foto: Divulgação

 

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