PÉ EMBAIXO: Sem radares fixos, motoristas abusam da velocidade entre Salvador e Feira; Carros chegam até a 202 km no trecho
PÉ EMBAIXO: Sem radares fixos, motoristas abusam da velocidade entre Salvador e Feira; Carros chegam até a 202 km no trecho
“120…150…200 Km Por Hora”.
Talvez essa frase acima remeta à música de Roberto Carlos, que narra uma viagem de carro. Nesse trajeto, ele ainda comenta sobre ilusão de ter perdido uma mulher amada.
Muito dos motoristas que trafegam pela BR-324, entre Feira de Santana e Salvador, não são tão românticos quanto o Rei, mas fazem a exatamente a mesma coisa em se tratando de exceder o limite de velocidade da via. Vamos explicar tal comparação e você vai entender que não é exagero.
O Aratu Online acompanhou, durante a tarde de quarta-feira (2/3), uma operação com radar móvel da Polícia Rodoviária Federal (PRF). A ação aconteceu na região conhecida como Jaqueira do Carneiro, no sentido capital. O limite neste trecho da BR-324 é de 80 km/h. A operação se faz urgente pois os radares fixos no trecho entre Salvador e Feira NÃO estão multando. A informação — sem trocadilhos — já correu o boca a boca. De olho nisso, os motoristas aceleram no percurso de forma frequente.
Enquanto acompanhamos a operação, a olho nu, é fácil perceber que os motoristas freiam seus veículos ao avistar radar móvel e a viatura da PRF. Isso, por si só, já denuncia que os mesmos trafegam em velocidade superior à permitida. Veja no vídeo abaixo:
Para o chefe interino da Delegacia da PRF de Simões Filho, que se identifica pelo sobrenome Carqueija, a operação com os equipamentos móveis precisa ocorrer rotineiramente. “Depende de toda uma logística. Quando o tempo não está favorável, sob chuva por exemplo, não fazemos essa operação, pois pode até causar um acidente na rodovia”, explica.
Carqueija relata ainda que o local onde os radares móveis são instalados diariamente é escolhido após o levantamento do Núcleo de Acidentes da PRF, que aponta os trechos mais críticos da BR-324. “Existem estudos para isso. Na Jaqueira do Carneiro, por exemplo, é uma área dentro da cidade. Nós sabemos ainda que o período de maior movimentação da rodovia é na segunda-feira pela manhã e na sexta pela noite”, detalha.
Os policiais explicaram como funciona o equipamento, que chegou há cerca de 11 anos no Brasil. Segundo o policial, que prefere não ser identificado por questões de segurança, o radar móvel flagra os motoristas a cerca de 200 metros à frente do local onde está instalado, podendo até chegar em 1 km dependendo da lente.
O trecho compreendido entre Salvador e Feira de Santana conta com três radares móveis que podem ser utilizados para a fiscalização do tráfego. Segundo o policial, não é raro todos estarem em operação simultaneamente durante o dia. Para ele, a “propaganda” que os motoristas fazem para os amigos, parentes e vizinhos pode disseminar uma conscientização coletiva. Podemos explicar assim: uma pessoa é flagrada dirigindo em alta velocidade por um radar móvel. Assim, ela comenta com outras pessoas, que passam a ter receio em transitar em alta velocidade.
NOTIFICAÇÕES
O agente rodoviário que o Aratu Online acompanhou diz que, após os flagrantes em alta velocidade, o cartão de memória do radar é levado ao computador e encaminhado para Brasília.
Da capital federal, os agentes analisam as imagens e mandam novamente para o posto de onde partiu o flagrante.

Policial Rodoviário Federal durante operação na BR-324
Daqui, cerca de 85% das imagens são revertidas em notificações. Segundo o PRF, os outros 15% são as imagens que ficam distorcidas, além de veículos oficiais ou carros roubados, que não podem ser multados.
No Brasil, o valor das infrações depende da porcentagem que o motorista ultrapassa. Em um exemplo real, que aconteceu na BR-324, um motorista foi flagrado a 202 km/h. Nesse caso, o condutor desembolsou cerca de R$ 942,00, já que excedeu em 100% o limite da rodovia, que, no ponto onde ele foi flagrado, é de 100 km/h.
Na manhã de quarta-feira (2/3), por exemplo, o radar da PRF flagrou 78 motoristas acima da velocidade permitida no Viaduto da Maré, na cidade de Candeias. O agente diz que os números dependem dos dias. Segundo ele, há datas que mais de 400 notificações são emitidas.
RADARES FIXOS
Os equipamentos fixos foram instalados na BR-324 há cerca de um ano e meio pela Via Bahia, empresa que administra a rodovia. Os mesmos, assim como os móveis, deveriam estar auxiliando na fiscalização do trânsito. Deveriam. De lá pra cá, os radares fixos jamais foram utilizados. Tudo devido a uma burocracia com a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).
Segundo a Via Bahia, a espera está prestes a terminar. A empresa detalha que os equipamentos estarão em operação nos próximos dias, após finalizada a etapa de ajustes técnicos. A administradora não precisou, porém, a data para o início da fiscalização. A Via Bahia destacou ainda que os radares não estão multando, mas operam em caráter educativo, em conjunto com a Polícia Rodoviária Federal.
A administradora reforça que passou a adotar medidas para preservar a integridade dos usuários e moradores próximos às rodovias sob sua administração. O resultado destas ações foi apresentado no mês de janeiro de 2016, com os índices de redução de 16,20% no número de acidentes em comparação com o ano de 2014.
O policial rodoviário entrevistado enquanto trabalhava diz que os equipamentos fixos ajudam, mas não é a solução. Segundo ele, para a eficácia nesse tipo de fiscalização, os radares deveriam ser instalados a cada 1 km, o que não acontece em nenhuma rodovia brasileira.
Portanto motorista, ao trafegar por qualquer via, tenha cuidado e deixe os 200 km/h apenas para a música.
Siga a gente no Insta, Facebook, Bluesky e X. Envie denúncia ou sugestão de pauta para (71) 99940 – 7440 (WhatsApp).