Jaques Wagner recebeu R$ 82 milhões em propina e caixa 2, diz PF
Jaques Wagner recebeu R$ 82 milhões em propina e caixa 2, diz PF
Por Da redação.
Investigações da PF (Polícia Federal) sobre desvios de recursos envolvendo a reforma do estádio Fonte Nova, em Salvador, usada na Copa do Mundo de 2014, apontam que o ex-governador baiano Jaques Wagner (PT) recebeu R$ 82 milhões em propina e caixa dois. As informações são do UOL.
“Em razão das delações da Odebrecht e de material apreendido na OAS, nós verificamos que de fato o então governador recebeu uma boa parte do valor desviado no superfaturamento para o pagamento de campanha eleitoral e de propina”, disse a delegada da PF Luciana Matutino Caires.
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A PF deflagrou, na manhã desta segunda-feira (26/2), a Operação Cartão Vermelho, que apura irregularidades na contratação dos serviços de demolição, reconstrução e gestão da Arena Fonte Nova. Em valores atualizados, os desvios podem chegar a R$ 450 milhões, de acordo com as investigações.
A licitação para a reforma do estádio foi direcionada para favorecer o consórcio FNP (Fonte Nova Participações), composto pelas empreiteiras Odebrecht e OAS, segundo a PF. Irregularidades na arena já haviam sido apontadas no acordo de delação da Odebrecht.
A residência de Wagner em Salvador foi um dos sete alvos de mandado de busca e apreensão. Segundo as investigações, houve pagamento de propina inclusive na casa da mãe dele, no Rio de Janeiro.
Tido como umas das alternativas do PT caso o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), condenado pela Justiça, não possa disputar a eleição presidencial este ano, Wagner governou a Bahia entre 2007 e 2014. Segundo a última pesquisa Datafolha, o ex-governador aparecia com 2% das intenções de voto nos cenários sem Lula na disputa.
Ele também foi ministério da Casa Civil do governo Dilma Rousseff (PT) e, desde janeiro do ano passado, é secretário de Desenvolvimento Econômico da Bahia. O Estado é governado pelo sucessor de Wagner, Rui Costa (PT). A secretaria também foi alvo de busca e apreensão.
Na residência de Wagner, foram apreendidos ao menos 15 relógios de luxo que serviriam para ser dados por ele como presente, segundo a PF. O valor dos objetos será calculado após perícia, de acordo com os investigadores.
Pedido de prisão
A PF chegou a pedir a prisão temporária do ex-governador para que ele fosse ouvido pelos investigadores. A medida será uma alternativa para que buscar esclarecimentos junto a Wagner em função de as conduções coercitivas estarem suspensas pelo STF (Supremo Tribunal Federal) por decisão do ministro Gilmar Mendes.
O TRF-1 (Tribunal Regional Federal da 1ª Região) negou o pedido de prisão da PF, que não pensa em repetir a solicitação neste momento. Um novo pedido só seria feito caso haja novidades a partir dos documentos apreendidos nesta segunda-feira. Wagner já foi intimado e deverá ser ouvido pela Polícia Federal.
PT fala em invasão e perseguição política
No início da manhã, a defesa do ex-governador havia dito que foi surpreendida com a operação. Wagner ainda não se manifestou sobre a operação. Em nota, a presidente nacional do PT, senadora Gleisi Hoffmann, considerou que o cumprimento do mandado de busca e apreensão na residência de Wagner foi uma “invasão” e uma demonstração de “perseguição política” contra o partido e suas principais lideranças.
“A sociedade brasileira está cada vez mais consciente de que setores do sistema judicial abusam da autoridade para tentar criminalizar o PT e até os advogados que defendem nossas lideranças e denunciam a politização do Judiciário”, disse Gleisi.
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