‘ESPECIAL SOTERRADOS’: “São pequenas”, diz especialista sobre ações da prefeitura e governo para evitar novas tragédias em Salvador
‘ESPECIAL SOTERRADOS’: “São pequenas”, diz especialista sobre ações da prefeitura e governo para evitar novas tragédias em Salvador
O Aratu Online publica neste sábado (30/4) o sexto e último episódio da série especial ?Soterrados?, em homenagem aos mortos do último dia 27 de abril, em Salvador.
Naquela manhã chuvosa, 15 perderam suas vidas em duas localidades diferentes. No Barro Branco, no Alto do Peru, próximo à Avenida San Martin, foram 11 mortos. No Marotinho, em Bom Juá, outros quatro ? todos da mesma família.
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Dois bairros unidos pela tragédia, pela pobreza, pelas ocupações irregulares e, sobretudo, pelo descaso do poder público.
Boa Leitura!
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Quinze mortos. O número é o triste saldo das vítimas que morreram soterradas durante as chuvas que atingiram Salvador no dia 27 de abril de 2015. Era possível evitar estas tragédias? O que tem sido feito para que situações como estas não voltem a se repetir?
Para tentar responder estas questões, o Aratu Online conversou com representantes da prefeitura e do governo do estado. E foi além. Ouviu um especialista, o professor e engenheiro da Escola Politécnica da Ufba, Luis Edmundo Prado de Campos, para avaliar se as medidas adotadas pelo poder público estão dentro das normas e se foram as melhores escolhas para enfrentar as iminentes desgraças provocadas pelas chuvas na cidade.
Em levantamento baseado no Plano Diretor de Encostas, de 2004, o Aratu Online contabilizou que, das 433 áreas de risco existentes em Salvador, localizadas em 60 bairros diferentes, durante as gestões de ACM Neto e Rui, em apenas 22% delas foram feitas obras de contenção.
Em sua defesa, além da construção de 27 encostas em 4 anos, a prefeitura garante que o principal investimento tem sido em tecnologia. O sistema de alarmes é o exemplo.
A ideia, garantem, é instalar equipamentos sonoros que vão emitir sinais para a população que vive em áreas de risco na capital. São mais de 600 já identificadas. Contudo, a número um na lista de espera é Pedro Ferrão, na Baixa do Fiscal, onde aconteceu o primeiro simulado este ano. O projeto, que, na teoria, parece funcionar à perfeição, ainda não foi efetivado.
?Esse é um grande avanço, cuja principal função é salvar vidas. O sistema já foi instalado com êxito em diversos lugares. O Rio de Janeiro é um bom exemplo. A questão é que você precisa treinar a população. Ela precisa saber para onde ir, como sair, o que deve deixar em sua casa, etc. O sinal sonoro, por si só, não garante nada?, pontua o especialista.
Além disso, dois meteorologistas passaram a integrar o quadro de funcionários do órgão e monitoram o clima diariamente. Estes são os primeiros profissionais da área a fazer parte da equipe. Outros 32 funcionários foram contratados temporariamente sob o Regime Especial de Direito Administrativo, o REDA.
Agentes do órgão estão trabalhando com tablets. O objetivo é agilizar o serviço de vistorias, que antes era feito manualmente. Os equipamentos têm geolocalização e são ligados ao sistema da Codesal, dando mais celeridade ao processo e, em condições normais, às respostas para os solicitantes.
?Isto será de grande importância para a população. Antigamente, a ficha era entregue para digitação, o que levava em média quatro dias e, em alguns casos, 15. Só depois do cadastro lançado no terreno é que o cidadão poderia dar entrada para receber o beneficio. Acho isto um grande avanço?, avalia Prado.
PROGRAMA DE CONTENÇÃO DE ENCOSTAS
O Governo do Estado, por sua vez, tem como carro-chefe o Programa de Contenção de Encostas, que contempla 98 locais considerados de alto risco. De acordo com os dados oficiais, são R$ 156 milhões, garantidos pelo Ministério das Cidades, via PAC II ? Programa de Aceleração do Crescimento – que atende especialmente estas áreas.
Segundo a assessoria da Conder, já foram concluídas e entregues obras em 19 encostas.
Entre as famílias beneficiadas, algumas serão relocadas de forma definitiva, mesmo após as obras. A essas famílias, o Governo do Estado dá a opção de uma indenização ou a entrada no projeto ‘Minha Casa Minha Vida’, do governo federal.
O Governo do Estado trabalha para a realização de obras em mais 11 áreas (oito em Salvador e três em Candeias). No total, 47 bairros da capital e outros três de Candeias serão beneficiados, em um total de investimento de R$ 216 milhões, dos quais 210 milhões somente na capital.
Para Prado, no entanto, a quantidade de obras é insuficiente. ?Temos conhecimento de várias intervenções acontecendo em toda a cidade. O número parece grande, mas é pequeno diante da quantidade de encostas que temos em Salvador. Parte delas é resolvida, mas novas aparecem, porque a população continuar a ocupar os espaços de forma desordenada. A grande questão é a falta de planejamento?, informa.
Apesar dos últimos investimentos, ainda há um longo caminho para resolver um problema histórico das ocupações irregulares em Salvador. O especialista aponta que antes do solo este é o verdadeiro responsável por tantas tragédias. .
Diante de tamanho dilema, ainda sem solução, o único jeito é rezar. Ter fé que dos céus não venha o castigo em forma de chuva.
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O especial ‘Soterrados’ foi escrito pelos repórteres André Uzêda, Dinaldo dos Santos, Daniela Mazzei, Jean Mendes, Heloísa Gomes e Diorgenes Xavier.
As fotos são de André Uzêda e arte e infografia de Nestor Carrera.
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