EM BUSCA DO CANUDO: Defesa de mestrado de Universidade federal será em brega de Cachoeira
EM BUSCA DO CANUDO: Defesa de mestrado de Universidade federal será em brega de Cachoeira
Por Da redação.
Do Blog de Pablo Reis, parceiro do Aratu Online
Uma mestranda de uma instituição de ensino superior pública federal na Bahia decidiu defender a dissertação do mestrado em Ciências Sociais numa chamada ?casa de tolerância?. O feito inédito na Universidade Federal do Recôncavo Baiano vai ser realizado no dia 5 de julho, a partir de 14h, no Brega de Cabeluda, em Cachoeira, a 110 km de Salvador.
A notoriedade que o fato ganhou assusta a pesquisadora. ?Confesso que estou com medo dessa repercussão. ´Cabeluda´, apesar de ser pública e conhecida por muitos, possui uma vida muito reservada?, pondera Gleysa Teixeira Siqueira, formada em História pela UFRB e que agora tenta o título de mestra em Ciências Sociais.
Apesar de discreta, ?Dona Cabeluda? é figura fólclorica no município de 35 mil habitantes, segunda capital do estado da Bahia, que se transforma em sede do governo todo 25 de junho. Elevada a cidade em 13 de março de 1837, por decreto imperial, Cachoeira se orgulha do Samba de Roda Suerdieck, da Irmandade da Boa Morte, e da Ponte Imperial Dom Pedro II, que liga à vizinha São Félix.
Nesse entreposto de história e cultura, a cafetina que se transformou em entidade respeitada em toda a região, com um apelido associado a uma figura peculiar de matrona.
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A dissertação se chama ?Uma história de Cabeluda: mulher, mãe e cafetina? e a sugestão de apresentar no meretrício partiu do orientador, o doutor Osmundo Santos de Araújo Pinho. A banca terá outros dois doutores, Wilson Rogério Penteado e Lina Maria Brandão de Aras. Nascida em Cachoeira, Gleysa é formada em História pela Universidade Federal do Recôncavo Baiano e mestranda em ciências Sociais pela UFRB.
?Trabalhar com o tema da prostituição foi a tentativa de olhar para a História Local por outro foco. Comungo do pensamento da teoria dos grupos subalternizados, dos excluídos, marginalizados socialmente, logo, busco dar visibilidade a um indivíduo que pertence a essa categoria, principalmente por ser mulher, pois meu estudo inscreve-se nos estudos do gênero feminino no Brasil?.
No segundo semestre de 2011, o então delegado da cidade, Laurindo Neto, chegou a decretar uma guerra contra os estabelecimentos da Rua do Brega. Segundo ele, o meretrício servia para abrigar, entre os clientes, suspeitos de tráfico e líderes de quadrilhas.
A respeito do evento do próximo dia 5, na casa de número 12 da Rua Sete de Setembro, em Cachoeira, Gleysa não sabe se isso vai afetar a clientela ? positivamente ou negativamente. ?Não tenho noção de como as coisas irão acontecer, porque é inédito. Acredito que não será algo tão a rigor?.
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