DIA DOS AVÓS: Idosos derrubam rótulo de ‘velhinhos pacatos’ e admitem vida sexual ativa
DIA DOS AVÓS: Idosos derrubam rótulo de ‘velhinhos pacatos’ e admitem vida sexual ativa
Por Da redação.
?Tô velho, mas não tô morto?. Foi com essa frase que Gildázio Souza Fonseca, 71 anos, começou a conversar sobre sexo. Casado há 48 com Djanira Lima Fonseca, 70, o contador garante que ambos praticam sexo entre “oito a dez vezes no mês”.
Nesta terça-feira (26/7) é comemorado o dia dos avós. Mas a imagem dos velhinhos pacatos parece ter ficado, literalmente, no passado. Os ‘novos velhos’ admitem uma vida sexual constante e ativa.
No entanto, o sexo é um desafio a ser encarado com a chegada da terceira idade. As mulheres são afetadas pela menopausa e diminuição da libido. Já os homens têm o risco da disfunção erétil — incapacidade de obter e/ou manter a ereção durante o ato sexual.
A prática sexual, ainda que reduzida, é importante para a qualidade de vida dos idosos. Traz benefícios como a elevação da autoestima e o aumento da produção de hormônios no corpo. O sexólogo Jordam Campos chama a atenção para as diferenças ligadas ao sexo entre homens e mulheres com o passar dos anos.
?Homens e mulheres são completamente diferentes na questão hormonal. Enquanto a mulher enfrenta a menopausa aos seus 45 anos, que faz com que os hormônios dela ligados a procura sexual caiam, o homem continua a produzir espermatozóides até morrer. Então existe uma propensão para que o homem tenha um instinto sexual diferenciado e mais latente. E isso é algo que os especialistas podem ajudar a corrigir quimicamente ou biologicamente, para que as mulheres vivam uma vida sexual mais longa”, afirma o especialista.
Casal de idosos que diz fazer sexo até dez vezes por mês:
O último senso do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), realizado em 2013, apontou que a população idosa no Brasil já alcança 26,2 milhões. A estimativa é que, nos próximos 20 anos, esse número mais que triplique. A Bahia tem um total de 1.885 milhão de idosos entre 60 e 70 anos ou mais — sendo 408 mil em Salvador e Região Metropolitana.
Apesar de não manter uma vida sexual tão ativa como na juventude, os idosos têm sim acesso aos prazeres do sexo. Para além da atividade, eles estão cada vez mais ativos no mercado de trabalho, na prática de exercícios físicos e em cuidados com a saúde e estética.
?Quando acordo não saio do quarto sem tomar meu banho, me arrumar e me maquiar. Não saio de casa sem passar pelo menos um batonzinho e colocar brincos. Pode ser pra ir ali na esquina que eu me arrumo, não tem jeito?, diz dona Djanira.
?Nós não gostamos de ficar parado. Sempre estamos arranjando algo pra fazer. Saímos com nossos amigos da igreja, nos reunimos aqui em casa para almoçar, e também viajamos bastante?, afirma Gildázio.
Ainda segundo o especialista, é importante que o casal tenha acesso ao sexo, mesmo que ocasionalmente. A prática é importante até como reposição hormonal natural, principalmente para a mulher.
?A mulher, com uma mínima rotina sexual, distribui hormônios de prazer para o corpo e isso fará com que ela se proteja contra doenças degenerativas do sistema nervoso central. Temos pesquisas, inclusive, apontando para o combate ao Alzheimer e Parkinson a partir desses hormônios, que lubrificariam o sistema nervoso e o deixariam mais ativo, propiciando maior qualidade de vida.
Os estimulantes sexuais, a chamada pílula azul, revolucionaram a vida sexual na terceira idade. Porém, ela não deve ser usada deliberadamente. ?O uso excessivo desse medicamento pode trazer sérios riscos pra saúde do paciente, como infarto e arritmia cardíaca. Por isso, é preciso que o paciente busque se consultar com um profissional?, diz Campos.
A história de Gildázio e Djnira é um exemplo de que o sexo, assim como o amor, não tem idade. Um tabu que deve ser quebrado cotidianamente em uma sociedade, em geral preconceituosa, que não tem a cultura de falar sobre liberdade sexual.
“Falta conscientização e educação sexual no Brasil, mas isso só vamos conseguir a longo prazo, daqui a uns 30 anos. Agora o que vamos ter é uma maior inteligência sexual”, diz o especialista.
“A velhice não é um fardo. Eu digo que é uma honra poder passar por todo processo de transformação e ainda assim continuar vivendo feliz”, conclui, animado, Gildázio.
Siga a gente no Insta, Facebook, Bluesky e X. Envie denúncia ou sugestão de pauta para (71) 99940 – 7440 (WhatsApp).