BOA MORTE: Festa destaca resistência negra e diversidade durante a procissão
BOA MORTE: Festa destaca resistência negra e diversidade durante a procissão
Por Da redação.
A resistência das mulheres negras e a diversidade religiosa são os destaques da Festa de Nossa Senhora da Boa Morte, que segue até quarta-feira (17/8), na cidade de Cachoeira, no Recôncavo baiano. O evento, que acontece desde o século XIX, é bastante expressivo no calendário religioso do estado.
Os festejos são realizados pela Irmandade da Boa Morte. A devoção foi iniciada na Igreja da Barroquinha, em Salvador, e depois transferida para Cachoeira, por volta de 1820, defendendo inclusive o fim da escravidão.
De acordo com a tradição, a missão é passada para várias gerações, exclusivamente de mulheres negras. Os rituais têm ampla participação, envolvendo as religiões católica e de matriz africana, e atraem muitos turistas.
“Temos na Irmandade da Boa Morte um exemplo de fé e luta pela liberdade das pessoas escravizadas. Fazemos o justo reconhecimento e trabalhamos para a visibilidade destas mulheres negras, que trazem inegáveis contribuições históricas, além de um grande exemplo de resistência”, disse a titular da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi), Fabya Reis.
Ela destacou que as atividades acontecem em pleno período do ?Agosto da Igualdade?, que resgata outras lutas emblemáticas como a Revolta dos Búzios, ocorrida na Bahia.
A Festa da Boa Morte é Patrimônio Imaterial da Bahia desde 2010. Durante os cinco dias de festividades também ocorrem samba de roda e oferta de pratos tradicionais da Bahia ? caruru e cozido. As irmãs vestem-se de vermelho, preto e branco, saindo em procissões com imagens e velas.
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