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ANÁLISE: Disputas vãs marcam campanha eleitoral em Vitória da Conquista

ANÁLISE: Disputas vãs marcam campanha eleitoral em Vitória da Conquista

Por Da redação.

ANÁLISE: Disputas vãs marcam campanha eleitoral em Vitória da Conquistafalse

Do Suíça Baiana, parceiro do Aratu Online.

O quadro desenhado até a reta final destas eleições em Vitória da Conquista, a 512 km de Salvador, com disputas por paternidade de obras públicas, ataques direcionados entre os candidatos do PMDB e PT no programa eleitoral em rádio e tv, distribuição de panfletos com propaganda negativa de adversários, aponta para um cenário político ainda imaturo na terceira maior cidade da Bahia. E esse clima da campanha refletiu no último debate nesta quinta-feira (29/9).

Polarizada entre dois ex-aliados, o deputado estadual licenciado José Raimundo Fontes (PT), ex-prefeito da cidade, e o ex-deputado estadual e radialista Herzem Gusmão (PMDB), que lidera com folga as pesquisas de opinião, a campanha política ? pobre, devido a proibição de doação por parte de empresas ? demonstra que a maioria dos partidos e seus quadros está mais interessada em apenas ter o poder.

Falta de apresentação de propostas não ocorreram, algumas delas esdrúxulas e oportunistas, como a de construção de um Centro Olímpico do candidato Roberto Dias (PDT) numa cidade sem nenhum atleta na Olimpíada 2016 e sem histórico algum de desenvolvimento de outros esportes que não o futebol, cujo time local está na luta ainda por um título baiano. Nada Justifica o gasto com dinheiro público com a construção de um Centro Olímpico nesta cidade, há necessidades muito mais evidentes que merecem investimento.

O cenário de disputa rasteira acabou se sobrepondo as propostas dos candidatos para melhorias na cidade. Não houve uma grande proposta, algo que se destacasse dos demais, apenas ideias quando não rasas exageradas sobre melhorias na saúde, educação, transporte e segurança pública (temas mais sensíveis). Não se viu políticas concretas para a juventude, assassinada dia a dia; nem para os animais de rua, que se proliferam sem assistência alguma do poder público. Ademais, o que não sobraram foram as naturais críticas ao PT, no poder há cinco gestões.

Acrescenta-se às críticas à administração local o fato de o PT estar, em nível nacional, com a cúpula da legenda praticamente toda envolvida no escândalo de desvios de dinheiro da Petrobras e ter perdido a influência federal com o impedimento da presidente Dilma Rousseff.

Agora quem está mais perto do poder é Herzem Gusmão, do mesmo partido do presidente Michel Temer, restando ao PT apelar para o Governo da Bahia, comandado por Rui Costa.

Mas o radialista também não anda com “flor que se cheire”. O principal aliado de Herzem é Geddel Vieira Lima, que, segundo a Polícia Federal, pediu a executivos da OAS (envolvida até o pescoço na Operação Lava Jato) ?apoio para Conquista? na campanha de 2012, quando Herzem foi candidato a prefeito pela segunda vez e perdeu para Guilherme Menezes.

Mas para PT pesa o fato de ao longo dos quase 20 anos de gestão não ter conseguido resolver problemas graves da cidade, como na educação, que possui níveis baixos do Ideb, saúde (com serviços precários) e segurança pública, com Vitória da Conquista sendo destaque até em pesquisa internacional sobre homicídios.

Então, com esses predicados, a situação do candidato do PT, José Raimundo Fontes, é extremamente delicada.

Talvez por isso o partido tenha evitado, na campanha de José Raimundo na TV, mostrar o principal símbolo do partido: a estrela vermelha com o 13 no meio, a mesma que está na foto acima, no fundo da van apreendida pela Polícia Federal nas eleições de 2012 por estar fazendo transporte ilegal de eleitores.

E junto com o PT estiveram ao longo desses anos o PCdoB e o PSB, que lançaram candidaturas próprias este ano, ambas de pouca expressão eleitoral. No debate da noite desta quinta, porém, ficou evidente que, em caso de segundo turno entre Herzem e Zé Raimundo, a ?esquerda? estará junta de novo. É tudo questão de conveniência.

E da mesma forma que os partidos de situação, as legendas mais influentes da oposição (PMDB, DEM e PSDB) também estão rachadas, o que, de certa forma, colabora para uma votação pulverizada neste domingo. Tivessem concentrado em um só e a oposição teria grandes chances de levar logo no primeiro turno.

A mera disputa pelo poder ficou evidente nestas eleições. Todos o querem e alguns, no desespero, tramaram com ?vanzeiros? a compra de votos com a distribuição de dinheiro com santinhos de candidato neste domingo, segundo informação da Polícia Federal em entrevista coletiva nesta quinta. Difícil saber até que ponto esta entrevista da PF foi positiva para a sociedade. Talvez investigar mais e prender a quadrilha toda fosse mais benéfico para a democracia.

A missão deste domingo será esta: eleger o menos pior.

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