Acusada de cortar língua de garoto, funcionária chora: “por que estão fazendo isso comigo?”
Acusada de cortar língua de garoto, funcionária chora: “por que estão fazendo isso comigo?”
Depois de ser acusada de cortar, utilizando uma faca, a língua de um garoto, a auxiliar de classe do Educandário e Creche Renovação, Jaqueline Araújo dos Santos, 33 anos, revelou ao Aratu Online que, ultimamente, não consegue dormir direito, não come e passa boa parte do tempo chorando. Ela se diz injustiçada e nega ter cometido o ato contra o estudante de apenas quatro anos.
Jaqueline relata que desde o último dia 13 de julho, quando a criança, que estuda na instituição onde ela trabalha no bairro de Dom Avelar, sofreu um ferimento, sua vida virou um grande tormento.
De acordo com a funcionária da creche, até então, ninguém na escola entende como o garoto teria levado um corte profundo na língua. Segundo ela, enquanto estava na escola, a criança não apresentou sangramento e nem reclamou de dores no local.
Jaqueline conta que neste dia o menino sofreu uma queda da mesa onde realizava uma atividade, próximo à professora, mas nesse acidente ele teve, somente, uma pequena escoriação na orelha.
?Somos duas auxiliares, trabalhando com a professora em uma sala com 25 crianças e todos viram o que aconteceu?. Ela lembra que ele foi amparado pela professora, em seguida continuou participando, normalmente, das atividades e até brincou com os outros colegas.
?Depois disso, administrei lanche para as crianças e ele tomou iogurte sem reclamar de qualquer incômodo?, acrescentou. Segundo Jaqueline, no final da manhã, por volta das 11h20, o garoto foi levado para casa, por uma irmã, menor de idade, na companhia de mais uma criança.
Um pouco mais tarde, às 12h50, conforme a acusada, o garoto foi levado de volta à creche, dessa vez, com uma tia (outra menor), quando foi apresentado à diretora da instituição com um profundo corte na língua.
?Quando vi aquele ferimento quase passei mal?, relatou a auxiliar, afirmando não entender como aquilo tinha acontecido. O menino, segundo Jaqueline, não acusou, inicialmente, nenhum funcionário da creche perante os familiares, naquele momento, e teria falado exatamente o que havia ocorrido dentro da sala de aula.
REDES SOCIAIS
No entanto, no dia seguinte à ocorrência, após o garoto passar por atendimento médico, Jaqueline admite ter se surpreendido com as acusações: a mãe do garoto, de prenome Joátila, postou nas redes sociais, informações dando conta de que a funcionária da creche teria feito o ferimento com uma faca, “porque ele lhe deu língua”.
O caso foi parar na polícia e registrado na Delegacia de Repressão aos Crimes contra a Criança e o Adolescente (DERCCA).
?Não entendo por que ela está fazendo isso comigo! A gente nunca teve nenhum tipo de convivência!?, disse intrigada, lembrando que a única vez que a mãe do aluno esteve na escola foi para fazer a matrícula da criança.
AMEAÇAS
A proprietária da instituição, Maria Raimunda dos Santos, é tia da acusada e disse ao Aratu Online que não tem permitido que sua sobrinha continue frequentando o trabalho, devido às ameaças que tem sofrido de algumas pessoas.
?Teve um dia que um rapaz chegou na frente da creche, em uma moto, deu uma volta e ficou olhando pra gente? relatou. Outro teria sido mais incisivo e falou: ?Quero me bater com ela quando eu tiver com uma arma na mão?, disse a dona da creche.
DEPOIMENTO
No último dia 21 de julho, Jaqueline prestou depoimento na DERCCA, acompanhado de um advogado. Na oportunidade, segundo ela, soube que a criança teria apresentado um relato confuso, com versões contraditórias: uma lhe incriminava, mas outra reforçava a sua fala anterior quando não lhe comprometeu.
O Aratu Online entrou em contato com a titular da DERRCA, Ana Crícia Macêdo, e foi informado de que o caso está sendo acompanhado pela delegada plantonista Cíntia Ilmara. A titular, entretanto, baseada em informações que foram passadas em depoimentos, disse que existe a possibilidade de a criança ter se machucado ao se envolver em uma queda.
A delegada ressalta, ainda, o fato de o garoto ter sido levado para casa por duas crianças. ?A mais velha tem apenas 12 anos?, considerou, acrescentando que a acusada pode estar sendo responsabilizada por algo que não fez, mas as investigações ainda não foram concluídas.
ACUSAÇÃO DA FAMÍLIA
Confira, abaixo, vídeo com reportagem da TV Aratu, na DERCCA, após acusação feita por familiares da criança à polícia.
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