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24/10/2017 09h25 | Atualizado em 24/10/2017 09h26

ATENÇÃO REDOBRADA: Mulheres vítimas de Trombose alertam para o uso de anticoncepcional

ATENÇÃO REDOBRADA: Mulheres vítimas de Trombose alertam para o uso de anticoncepcional

Cássia Carolina

Recentemente, o Ministério da Saúde divulgou que o Brasil registrou entre janeiro e julho deste ano, quase  17 mil casos de Trombose Venosa Profunda (TVP). Popularmente conhecida apenas como trombose, a doença se caracteriza pela formação de um coágulo sanguíneo em uma ou mais veias localizadas na parte inferior do corpo, geralmente nas pernas ou coxas. O coágulo bloqueia o fluxo de sangue, causando dor e inchaço na região.

A doença pode se tornar ainda mais grave se um desses coágulos se desprender e se movimentar na corrente sanguínea, em um processo chamado de embolia. Assim, pode chegar a outras regiões do corpo, como cérebro, pulmão ou até mesmo o coração.

São vários os fatores que podem causar trombose, como sedentarismo, passar longos períodos sentado, cirurgia, gravidez e pós-parto, obesidade, varizes, tabagismo, traumas, câncer, insuficiência cardíaca, idade, além da predisposição genética.

Mas, o que muitas pessoas ainda não sabem é que o uso da pilula anticoncepcional ? um dos métodos contraceptivos mais utilizados pelas mulheres -, também é um dos fatores que, combinado à outro, pode desencadear um episódio de TVP e causar graves problemas, podendo ser, inclusive, fatal.

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Liberdade feminina?

A chegada da pilula anticoncepcional, em 1960, representou uma conquista no direito das mulheres. O método contraceptivo deu à classe feminina a autonomia para decidir sobre seu próprio corpo.  Além de evitar a gravidez, o uso da pilula pode trazer outros benefícios como a regulação da menstruação, diminuição da cólica, aliviar as dores, o inchaço e as alterações hormonais causados pela TPM – que, segundo o Ministério da Saúde,  atinge cerca de 70% das mulheres brasileiras -, além do uso para controlar e diminuir espinhas.

Apesar disso, a própria bula do remédio alerta para as reações adversas, como enxaqueca, alteração de peso e humor, diminuição da libido, e a própria trombose. As empresas farmacêuticas produtoras da pilula, no entanto, afirmam que os casos da doença ligados ao uso do anticoncepcional são raros. Mas, tem sido cada vez mais recorrente o relato de mulheres, em diversas partes do mundo, que dizem terem sofrido um episódio de TVP, causado pelo uso da pilula.

Casos

A atendente Renata Oliveira Ramos é um dos exemplos. Residente em Salvador, ela tomava o  remédio contraceptivo há 10 anos. Em 2015, começou a sentir falta de ar sempre que se movimentava. ?Achei que havia dado algum jeito, por que estava fazendo faxina. Fui dormir, quando acordei, minha perna estava inchada e não conseguia mais por os pés no chão?, relata ela.

Após o aparecimento dos sintomas, Renata foi até o médico e realizou o exame de doppler (de imagem); foi quando descobriu que estava com trombose. Ela foi encaminhada ao Hospital Evangélico da Bahia (HEB), onde ficou internada por dois meses. Durante tratamento, médicos constataram que o aparecimento do coágulo havia sido causado pelo uso da pilula anticoncepcional.

?Minha perna encheu de vasos e varizes. Não posso ficar muito tempo em pé e nem sentada. Não posso mais usar sapatilha e roupas apertadas, comer gordura, sal, açúcar. Fora que você tem que ter acompanhamento médico pelo resto da vida?, conta. Dois anos depois do acontecimento, Renata ainda sente dores nas pernas.

ANTICONCEPCIONALxTROMBOSE Mulheres vítimas da doença alertam para o uso da pilula

Renata ainda sofre com dores e inchaço na perna. Foto: arquivo pessoal

Apesar da idade ser um dos fatores de risco para desenvolver a doença, ela pode atingir também mulheres mais jovens. Foi o caso da estudante de psicologia, Amanda Brandao, que sofreu um episódio de TVP aos 19 anos. ?Certo dia cheguei em casa do trabalho e ela se queixou de cansaço e tosse. Como ela tem rinite alérgica, achei que fosse uma crise e não me preocupei tanto. Mas, levei na emergência e aguardamos atendimento?, conta a mãe da estudante, a publicitária Aline Gondim.

Amanda foi levada para realizar exames e ficar em observação. O diagnóstico apontou que ela estava com trombose, então foi encaminhada para a UTI. A jovem tomava anticoncepcional desde os 17 anos. Após o fato, a garota ficou internada durante quatro dias na UTI, e de repouso por mais seis dias, para concluir a medicação. A estudante está tomando anti coagulante há seis meses, e não poderá mais fazer uso do contraceptivo. ?Eu também já deixei de usar?, disse a mãe dela.

Complicações

Aos 21 anos,  a auxiliar administrativa Geisa Neves foi encontrada desacordada no quarto pelo irmão. Ela foi vítima de um AVC em decorrência da formação de um coágulo sanguíneo, que, segundo diagnóstico médico, foi causado pelo uso do anticoncepcional. Ela tomava pílula há mais ou menos cinco anos, e respeitava sempre as pausas entre uma cartela e outra. Apesar do cuidado, foi mais uma vítima da TVP.

Na época, Geisa fazia faculdade de direito, mas teve que abandonar em decorrência da gravidade da situação. Hoje, aos 30 anos, ela ainda sofre com as consequências do evento. ?O tratamento é bem demorado, inclusive faço até hoje. O AVC paralisou o lado esquerdo do meu corpo. Eu consegui recuperar o movimento da perna e do braço, mas da mão ainda está um pouco difícil?, lamenta.

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Fatores de risco

Ainda que o anticoncepcional possa aumentar as chances de desenvolver Trombose Venosa Profunda, é a combinação da pilula com outros fatores que pode ocasionar a doença. O dr. Gilberto Abreu, médico angiologista do Angiologistas Associados de Salvador (AAS) alerta que a predisposição é a maior causa. ?O uso da pílula pode desencadear a doença em pessoas predispostas. Essa predisposição se chama trombofilia, sozinha a pílula não causa trombose?, esclarece ele.

ANTICONCEPCIONALxTROMBOSE Mulheres vítimas da doença alertam para o uso da pilula

O angiologista Gilberto Abreu é especialista no tratamento da trombose. Foto: arquivo pessoal

Segundo o especialista, que já atendeu algumas pacientes vítimas da TVP, essa tendência pode ser identificada por exames de laboratório para detectar trombofilia, e o Doppler colorido para detectar varizes. ?A melhor forma de prevenção é manter peso normal, atividade física regular, hidratação, uso de meia ou se possível remoção das varizes. Se for fazer cirurgia ou viagem longa, deve consultar o Angiologista para fazer um plano de prevenção?, conclui.

Além disso, é indicado que todas as mulheres consultem um médico antes de começar a tomar a pilula. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e outras agências reguladoras internacionais realizam constante  monitoramento sob esses métodos contraceptivos, para avaliar os benefícios e os riscos. A entidade recomenda que os anticoncepcionais sejam vendidos somente com prescrição médica; apesar disso, existe muita facilidade para adquirir o medicamento, que pode ser comprado em qualquer farmácia.

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*Publicada originalmente às 6h (24/10)

Fonte: Cássia Carolina Macedo