Gestão da Arena Fonte Nova pode passar ao Grupo City? Entenda o impasse e a posição do Governo
Declaração de Jerônimo Rodrigues aponta abertura para uma nova gestão da Arena Fonte Nova, mas Setre afirma que governo ainda estuda alternativas para o equipamento
Por Dinaldo dos Santos.
A possibilidade de o Grupo City, controlador da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do Bahia, assumir a administração da Arena Fonte Nova ganhou um novo capítulo na quinta-feira (29), quando o governador Jerônimo Rodrigues (PT) sinalizou que espera uma proposta do conglomerado para ampliar a participação da iniciativa privada no equipamento.
Apesar da manifestação do gestor do executivo estadual, o secretário do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre), Augusto Vasconcelos, afirmou que ainda não existe qualquer definição sobre o futuro da gestão do estádio.

As declarações colocam em evidência dois aspectos de uma possível mudança na administração da praça esportiva: a disposição do governo em discutir a entrada do Grupo City e a necessidade de cumprir as etapas legais e administrativas antes de qualquer decisão.
Em entrevista ao programa Giro Baiana, da rádio Baiana FM, Jerônimo defendeu que o poder público concentre seus investimentos em áreas consideradas prioritárias, como saúde, educação e infraestrutura, deixando para a iniciativa privada atividades que possam ser desempenhadas pelo setor empresarial.
"Não esperem que o governo do estado invista em áreas que o setor privado possa fazer. [...] Eu tenho que investir é na escola, na UBS, ajudar um prefeito a fazer uma creche, é botar um asfalto", declarou.
Ao abordar especificamente a Arena Fonte Nova, o governador demonstrou receptividade à possibilidade de o Bahia apresentar uma proposta para participar da próxima Parceria Público-Privada (PPP).
"Hoje a Fonte Nova, se alguém tem crítica a fazer, é natural que tenha um canto ou outro, mas a qualidade, o trato, então a expectativa é que o Bahia possa oferecer uma proposta para que a gente possa, dentro da PPP, estabelecer um fortalecimento do setor empresarial", afirmou.
Gestão da Arena Fonte Nova depende de estudos e decisões administrativas
Apesar da sinalização de Jerônimo, Augusto Vasconcelos ponderou que o futuro da administração do estádio ainda está em fase de avaliação. Segundo o secretário, o contrato atual termina em 2028 e não há conversas definitivas com nenhum dos possíveis interessados.
A Setre informou que o governo está elaborando um diagnóstico da atual Parceria Público-Privada e analisando alternativas para definir o próximo modelo de gestão do equipamento.
"A decisão sobre o futuro da gestão da Arena Fonte Nova ainda será objeto de uma análise mais aprofundada. O atual contrato expira em 2028, de modo que não há qualquer conversa definitiva sobre o tema com nenhuma parte interessada", explicou o secretário.
Vasconcelos também ressaltou que a escolha deverá respeitar os procedimentos legais e os princípios que regem a administração pública.
"Vamos seguir rigorosamente todas as fases previstas em lei e nos contratos, baseando-se nos princípios da Administração Pública. Nesse atual momento estamos debruçados na elaboração de um diagnóstico dessa Parceria Público-Privada, bem como alternativas de modelos de gestão para definirmos o futuro desse equipamento que pertence ao povo baiano", acrescentou.

Grupo City já manifestou interesse na administração do estádio
O interesse do Grupo City em assumir a gestão da Arena Fonte Nova não é novo. Em outubro de 2025, o CEO do conglomerado, Ferran Soriano, já havia manifestado publicamente a intenção de participar da administração do estádio e realizar investimentos no equipamento.
O grupo controla 90% da SAF do Bahia e vê a possibilidade de administrar a arena como uma oportunidade de ampliar sua atuação na estrutura esportiva do clube.
Atualmente, a operação da Fonte Nova está sob responsabilidade da concessionária Fonte Nova Negócios e Participações S.A. (FNP), por meio de uma concessão administrativa firmada com o Governo da Bahia. De acordo com os dados oficiais do Estado, a vigência do contrato está prevista para terminar em 31 de março de 2028.
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