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O SONHO NÃO TERIA ACABADO: Se Beatles tivessem vindo à Bahia, banda teria ficado junta por bem mais tempo

O SONHO NÃO TERIA ACABADO: Se Beatles tivessem vindo à Bahia, banda teria ficado junta por bem mais tempo

Por Da redação.

O SONHO NÃO TERIA ACABADO: Se Beatles tivessem vindo à Bahia, banda teria ficado junta por bem mais tempoReprodução

É bem possível que Paul McCartney diga um oxente no palco da nova Fonte Nova, no próximo dia 20 de outubro. Tomara! Nos vários shows que passou a fazer no Brasil, a partir de 2010, Paul sempre aproveitou para dizer uma gíria local. Ele já se apresentou em diversas cidades pelo país, sem ainda ter vindo a Salvador. A espera em Soterópolis enfim vai acabar, mas Paul até visitou a Bahia antes, curtindo Itacaré entre um show e outro da turnê brasileira de 2013.

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Aliás, se os Beatles tivessem vindo para cá numa viagem como a que fizeram para a Índia, teriam colecionado ótimas histórias. E era fácil ter pegado a dica: bastava ter falado com os amigos Mick Jagger, Marianne Faithfull e Keith Richards, que antes mesmo de Janis Joplin estiveram em Arembepe no auge da contracultura e da fama da aldeia hippie.

Na Bahia daqueles tempos não faltariam roteiros apropriados para cada beatle. George Harrison, acostumado com os ensinamentos do guru Maharishi Yogi, poderia conhecer Mãe Menininha no Terreiro do Gantois. Ficaria intrigado com o berimbau assim como ficou pela cítara, avisando por telegrama ao produtor George Martin da nova descoberta sonora.

John e Yoko iriam a uma exposição no MAM, antes de rumarem até o Rio Vermelho para conversar e estreitar laços com Jorge Amado e Zélia Gattai. Grande baterista e ótimo fotógrafo, Ringo Starr se alucinaria com o som da percussão no toque dos atabaques. Também se admiraria bastante pelas fotos de Pierre Verger, que o deixaria inspirado para usar todos os seus negativos durante a viagem.

O SONHO NÃO TERIA Se Beatles tivessem vindo à Bahia, banda estaria junta até hoje

Paul visitaria a oficina de Walter Smetak e ficaria entusiasmado com aquelas experimentações instrumentais. Curioso para saber da cena musical local, seus ouvidos seriam apresentados a vários artistas da terra, de Dorival Caymmi às meninas do Quarteto em Cy ? que ele pensaria terem as vozes ideais para gravarem backing vocal em um próximo disco dos Beatles.

Mas o que lhe chamaria mais atenção seria justo um grupo que já tinha terminado, chamado Raulzito e Os Panteras, cuja capa do LP ele acharia parecida com a do disco ?With The Beatles?, aprovando, mesmo sem entender a letra, a linda ?Você ainda pode sonhar?, versão de ?Lucy in the sky with diamonds? feita pelo jovem Raul Seixas.

Juntos, os quatro rapazes de Liverpool relembrariam os tempos de Hamburgo indo à boate Anjo Azul. Poderiam também tomar chá no Clube dos Ingleses, mergulhar no Porto da Barra e assistir uma projeção especial de Meteorango Kid, além de ver Pelé quase fazer o milésimo gol na velha Fonte Nova.

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No caminho, esbarrariam nos Novos Baianos ou em algum tropicalista que não estivesse exilado. Por fim, eles descobririam que Arembepe era mais tranquila para a prática da meditação transcendental do que Rishikesh, e quem sabe a relação entre eles tivesse ganhado fôlego para que continuassem com a banda por mais tempo.

Mas nunca é tarde para a Bahia realmente ver e ouvir um beatle de perto, e Paul nos trará toda a aura da beatlemania, exatos 50 anos depois do Sgt. Pepper?s LHCB e do Magical Mystery Tour. Sim, estamos a meio século de distância de Strawberry Fields, Penny Lane, Lucy in the sky, A day in the life, The Fool on the hill! De uma música que parece futurista, mas que veio de um passado que permanece presente como nunca antes. A plateia dos shows de Paul costuma ser um encontro de gerações, e embora pouquíssimos ali tenham sido mesmo contemporâneos da carreira dos Fab Four nos anos 60, ainda somos sortudos por vivermos na mesma época de três beatles: Paul, Ringo e Pete Best ? não esqueçam dele, o primeiro baterista do conjunto.

Na hora que a música começa, velhos isqueiros ainda resistem, mas perdem a batalha para a luz dos celulares. Rapazes tentam adivinhar que canção virá a seguir só pelo instrumento que Paul vai usar, enquanto as meninas ao lado choram sem fazer barulho e os mais velhinhos mexem nos celulares com desenvoltura. O coro com as pessoas ao redor ganha volume e toma conta do estádio, mesmo que muitos não consigam continuar porque é impossível cantar e chorar ao mesmo tempo.

São sentimentos e sonhos envolvidos pelos melhores versos, por middle eights certeiros, pelas harmonias e melodias mais emocionantes. Por isso, ouvi-las cantadas ao vivo por James Paul McCartney, aos 75 anos, é um encontro cada vez mais improvável de se repetir. Assista como se fosse a última vez, mas torça para que ainda haja uma próxima. No futuro, essa recordação talvez pareça onírica.

*Publicada originalmente às 10h14

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