MEU CARNAVAL: Meninos, eu vi Gil!
MEU CARNAVAL: Meninos, eu vi Gil!
Meninos, eu vi Gilberto Gil.
Na ocasião, escrevi que o Carnaval já poderia terminar. Era apenas o segundo dia de festa, sexta-feira (24/2), no Pelourinho. O exagero viria a se justificar. Nada do que veio depois foi tão simbolicamente carnavalesco para me abalar. E olhe que — se não fosse ateu, agradeceria a Deus — fui agraciado com outros momentos emotivos, marcantes, engraçados de ícones, puxadores em processo de estabelecimento e iniciantes da música baiana.
Vi Armandinho amolando os dedos no pau elétrico no trio dos herdeiros da festa com uma música que já nasce com aquela sonoridade familiar de que sempre existiu. Porque as boas músicas são assim. Nascem como se sempre tivessem estado ali. A temporalidade é uma abstração. A corda também. (Pra que corda? Pra que Corda? Se a pipoca tá com a corda…)
Meninos, vi Moraes Moreira gozadamente reclamando do caminhão que quebrou em suas duas apresentações. Vi a pipoca de Kannario (inquantificável, fúria contida em si próprio, a violência como linguagem), a Mudança do Garcia, Bell voltando a cantar hits do Chiclete. Não pude pegar a saída do Ilê — levei falta na Senzala do Barro Preto, mas prometo me redimir ano que vem.
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Sim, meninos, mas voltemos a Gil. Foi um show simples, em homenagem à Tropicália, com uns “Fora, Temer” aqui e acolá, um apresentação de pouco mais de 30 minutos e um repertório com referência aos seus antigos sucessos. Gil estava renovado, vitalizado, enérgico. Gritou, dedilhou a guitarra. Sorriu.
Esse foi o Carnaval dele. As recentes internações, decorrentes de problemas nos rins, sensibilizou os menestreis da festa. Gil foi homenageado pelo Cortejo Afro — no incrível trocadilho “Cortegil” — saiu no Gandhy tocando agogô (o que faz todo ano), recebeu as pessoas no seu camarote dízima periódica (Expresso 2222) e, melhor, cantou pra mim, no Pelô. Sorri daquela pauta que, gozando de uma condição hierárquica na firma, marotamente escalei para executar.

‘CorteGil’ homenageando o mestre
Gosto de Carnaval. E de trabalhar nele também. É divertido ver gente, observar como se comportam e recriam comportamentos a cada ano. O circuito é muito vivo. Cada festa é uma. Esta foi a de Gil. E todas as demais também serão. Gil é o Carnaval. Não aceito outras versões. É um decreto ministerial.
Cumpra-se.
Gil vive.
Meninos, eu vi.
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