Além do São João: por que a cultura nordestina segue viva na Bahia o ano inteiro
No Dia da Cultura Nordestina, celebrado em 2 de agosto, especialistas e instituições destacam que manifestações como o samba de roda, a literatura de cordel e o forró continuam sendo transmitidas entre gerações e ajudam a preservar a identidade cultural d
Por Dinaldo dos Santos.
Para muita gente, a cultura nordestina ganha protagonismo apenas durante os festejos juninos. Mas ela está presente durante todo o ano, através de várias manifestações. Celebrado neste 2 de agosto, o Dia da Cultura Nordestina convida à reflexão sobre a importância de preservar manifestações que fazem parte da identidade brasileira e seguem sendo reinventadas pelas novas gerações.

Cultura que atravessa gerações
A data homenageia o escritor e dramaturgo Ariano Suassuna, nascido em 2 de agosto de 1927 e um dos maiores defensores da valorização da cultura popular nordestina.
Na Bahia, um dos maiores símbolos dessa herança é o samba de roda do Recôncavo. A manifestação reúne música, dança, poesia e tradições afro-brasileiras que remontam aos séculos XVII e XVIII, influenciando diretamente a formação do samba urbano brasileiro.
Reconhecido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional como patrimônio cultural brasileiro e inscrito pela UNESCO na Lista Representativa do Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, o samba de roda é considerado uma das expressões culturais mais importantes do país.
Além do aspecto artístico, pesquisadores destacam que essas manifestações preservam memórias, fortalecem vínculos comunitários e mantêm vivos conhecimentos transmitidos oralmente entre diferentes gerações.
Além do São João e do forró
Embora o forró seja um dos ritmos mais associados ao Nordeste, ele representa apenas uma parte da diversidade cultural da região. Xaxado, baião, coco, repente, literatura de cordel, artesanato, culinária típica e festas religiosas compõem um patrimônio que continua presente no cotidiano de milhões de brasileiros.
Neste ano, o Brasil deu mais um passo para ampliar esse reconhecimento internacional ao formalizar, por meio do Iphan, do Ministério da Cultura e do Ministério das Relações Exteriores, a candidatura do forró tradicional ao título de Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade da UNESCO.

Cordel também é patrimônio
Outra expressão marcante da cultura nordestina é a literatura de cordel. Tradicionalmente comercializada em folhetos ilustrados com xilogravuras, ela combina poesia, oralidade e narrativas populares, sendo transmitida entre gerações de poetas e leitores.
Desde 2018, a literatura de cordel é reconhecida pelo Iphan como Patrimônio Cultural do Brasil, em razão de sua relevância para a formação da identidade cultural brasileira e da preservação das tradições populares.
Tradição e inovação
Apesar de manter raízes históricas, a cultura nordestina também acompanha as transformações da sociedade. Hoje, é comum encontrar cordelistas publicando obras nas redes sociais, grupos de samba de roda utilizando plataformas digitais para divulgar apresentações e artistas que unem ritmos tradicionais a novas linguagens musicais.
Segundo o Iphan, o patrimônio cultural imaterial é caracterizado justamente por essa capacidade de ser recriado continuamente pelas comunidades, mantendo sua essência enquanto dialoga com novas realidades.

Patrimônio que fortalece identidades
Mais do que preservar tradições, celebrar o Dia da Cultura Nordestina é reconhecer a contribuição histórica do Nordeste para a formação da cultura brasileira.
Na Bahia, onde manifestações como o samba de roda, a capoeira, os festejos populares e a culinária tradicional fazem parte do cotidiano, essa herança permanece viva não apenas nos grandes eventos, mas também nas comunidades que mantêm esses saberes por meio da música, da dança, da oralidade e da convivência entre gerações.
LEIA MAIS:
Siga a gente no Insta, Facebook, Bluesky e X. Envie denúncia ou sugestão de pauta para (71) 99940 – 7440 (WhatsApp).