Família

Como quebrar o ciclo da violência e do silêncio?

Otávio Leal
Colunista On: Otávio LealPai de Maria Flor e Amora, advogado, consultor parental e psicanalista em formação
Como quebrar o ciclo da violência e do silêncio?

Já olhou para seu filho hoje? Tentou ler, escutar nas entrelinhas? Já se deu conta de que hoje, especificamente hoje, ele pode estar tentando te dizer algo e ainda não tem palavras para dizer?

A falta de uma linguagem para expressar algo não impede que a criança sofra. Ao contrário, a criança "sem palavra" passa por tudo SEM CONSEGUIR FALAR, ELABORAR O QUE SENTE.

A depender da idade a criança tem apenas o choro e o riso como linguagem.

Esse "não saber falar" sobre algo que incomoda pode gerar angústia. 

O maior presente que podemos dar às nossas crianças é gerar um espaço aberto para o diálogo, para a escuta e para o acolhimento (esse último muitas vezes pode ser traduzido num abraço).

Toda criança tem algo a expressar e precisa estar livre para isso, pois ela sequer sabe ao certo o que sente e como expressar ainda. 

Acolher, escutar uma criança, não é dar espaço para o seu "MI-MI-MI", como alguns cruelmente pregam. É dar espaço para sua humanidade, dar valor ao que elas carregam por dentro: criatividade, dúvidas, medos, inquietações, alegria, euforia, felicidade, ansiedade, etc.

Alguns adultos simplesmente não conseguem praticar isso, porque também não tiveram esse espaço.

Essa regra invisível do mundo adulto de CALAR A VOZ DAS CRIANÇAS, gera um eterno ciclo de inaptidão de escuta e elaboração do sentimento. 

Precisamos quebrar esse ciclo! É esse ciclo que faz mulheres adultas se calarem, homens implodirem e profissionais aguentarem em silêncio os abusos sexuais ou morais de um superior.

Se queremos que nossas crianças se transformem em adultos fortes, precisamos dar espaço para eles falarem, ou simplesmente acolher, quando nós mesmos não soubermos o que dizer.

Precisamos quebrar o ciclo da violência e do silêncio

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Otávio Leal

Otávio Leal

Otávio Leal, do blog "Pai, vem cá", é pai de Maria Flor e Amora, advogado, consultor parental, psicanalista em formação e autor do livro "Papai foi pra roça, Mamãe foi trabalhar. E agora?".

O projeto “Pai, Vem Cá!” se tornou parceiro da Defensoria Pública da Bahia e da Revista Pais & Filhos, tendo participado de iniciativas sociais importantes, a exemplo da campanha Poder do Colo, da Novalgina.

Instagram: @paivemca
 

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