Nem um elenco de peso salva as incongruências de Mulheres Imperfeitas
O que sustenta uma narrativa seriada, fazendo com que seu público chegue até o fim? Um elenco, uma premissa de base forte, uma direção que consegue potencializar e retirar as falhas do roteiro? A verdade é que se um desses elementos estiver na lista, ou todos eles juntos (preferivelmente), as chances de se obter um resultado positivo são altas.
Mulheres imperfeitas conta somente com o fato de que o trio central é extremamente talentoso e por isso boa parte do público pode acabar ficando até o último. Porque por mais que as direções dos episódios tentem ser inventivas, a trama é previsível e o seu encaminhamento é ainda pior.
É difícil de dizer se o problema é o roteiro de Annie Weisman ou o livro homônimo de Araminta Hall, porque essa que vos escreve somente assistiu ao seriado. No entanto, é lamentável quando uma produção de mistério e assassinato entrega, sem intenção, tão facilmente o vilão, logo no início.
Todavia, ainda que o assassino de Nancy (Kate Mara) fique óbvio, principalmente se quem estiver acompanhando a produção for uma mulher, as três atrizes principais do seriado aliviam as precariedades do roteiro. A começar por Kerry Washington.
É verdadeiramente impressionante acompanhar como a intérprete transforma um texto óbvio e expositivo em algo orgânico. Essa característica está presente no trio, mas Kerry é a personagem que possui mais frases mal escritas. Por isso, esse fator se destaca. Um exemplo são as sequências nas quais ela depõe na delegacia.
Washington segura os movimentos corporais e faciais, bem como suaviza a voz. Esta estratégia faz com que as falas pareçam mais sutis do que realmente são. Kate Mara vai para o oposto, porém a artista consegue também elevar a qualidade de suas cenas.
Através de momentos específicos de rompante de sua Nancy, certa complexidade é criada. Já Moss se vale de uma atuação bem naturalista. A forma como Elizabeth profere palavras absurdas em um tom cotidiank revela a dimensão da pluralidade de emoções presentes em sua Mary.
Neste sentido, apenas este trio pode segurar o espectador até o final da temporada. Porque com caminhos óbvios, a direção se esforça para colocar inventividade na decupagem e o elenco tenta suavizar essa previsibilidade da obra. Assim, Mulheres Imperfeitas não é recomendada, no geral, a não ser para o fandom das atrizes principais.
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