Suspeito de estuprar e matar menina em 2006 é preso após reabertura de caso

Crime aconteceu há 20 anos, em 2006, mas suspeito só foi preso após reabertura de caso; ex-enteada fez denúncia

Por Juana Castro.

Um homem de 55 anos foi preso preventivamente em Londrina, no norte do Paraná, suspeito de estuprar e matar Giovanna dos Reis Costa, de 9 anos, em abril de 2006, em Quatro Barras, na Região Metropolitana de Curitiba. A prisão ocorreu após a Polícia Civil reabrir o caso.

Giovanna tinha 9 anos quando foi violentada e assassinada, em 2006 | Foto: arquivo/reprodução

A investigação foi retomada - 20 anos depois - após uma ex-enteada do suspeito denunciá-lo por abuso sexual. Segundo a polícia, ela relatou que, durante as ameaças, ele citava o crime contra Giovanna e dizia que ela poderia ser a “próxima”.

O crime em 2006

Giovanna desapareceu em 10 de abril de 2006 enquanto vendia rifas perto de casa. Dois dias depois, o corpo foi encontrado em um terreno baldio, dentro de sacos plásticos, com as mãos amarradas e sinais de violência sexual. A perícia apontou morte por asfixia mecânica.

As roupas da vítima foram localizadas em outro terreno.

Na época, o suspeito era vizinho da família e chegou a ser investigado, mas não houve pedido de prisão. Outros três suspeitos foram presos e, posteriormente, inocentados pelo Tribunal do Júri em 2012.

Martônio era vizinho da vítima à época do crime | Foto: reprodução

Novas denúncias

De acordo com a delegada responsável pelo caso, a ex-enteada afirmou ter sofrido abusos dos 11 aos 14 anos e disse que não denunciou antes por medo. Segundo o relato, ele dizia: “eu já fiz mal pra uma Giovanna, você vai ser a próxima”.

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A mãe da jovem afirmou que, ao confrontá-lo, ele declarou: “você sabe aquele caso de Quatro Barras que eu disse que era testemunha? Eu não sou testemunha, eu fui o autor”, conforme relato da delegada.

A polícia também ouviu ex-companheiras do suspeito. Uma delas afirmou que ele descreveu como teria cometido o crime, em versão que, segundo a investigação, coincide com os laudos periciais.

Ele é investigado por homicídio qualificado, estupro de vulnerável e ocultação de cadáver. O suspeito permaneceu em silêncio durante o depoimento. A polícia apura ainda outros possíveis crimes sexuais.

Histórico

Em 2018, o homem foi preso por instalar câmeras no banheiro feminino da pastelaria que possuía em Londrina. Posteriormente, foi solto.

Durante a investigação inicial, policiais encontraram um colchão com mancha de urina na casa onde ele morava. Segundo a polícia, o colchão desapareceu e o imóvel foi lavado antes da perícia. Um fio elétrico semelhante ao usado para amarrar a vítima também foi localizado no quintal.

Defesa

O advogado Eduardo Caldeira informou que ainda não teve acesso ao processo e à decisão que decretou a prisão preventiva. Em nota, afirmou que qualquer manifestação aprofundada seria precipitada e ressaltou que o cliente tem direito à ampla defesa, ao contraditório e à presunção de inocência.

Momento da prisão de Martônio, em Londrina (PR) | Foto: PC-PR

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