Parece que o Carnaval em 2021 é um sonho cada vez mais distante para os apaixonados pela folia. É que mesmo com a eminente vacinação no final de janeiro, especialistas acreditam que toda a população não estará imunizada para realização de um festejo em julho - mês em que São Paulo e Rio de Janeiro prometeram realizar a Festa de Momo -. Por conta do cenário, em Salvador, já há vendas para abadás e camarotes para 2022. 

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O grupo Central do Carnaval, por exemplo, investiu em mudanças nos preços, pacotes com diversidades de produtos e apostou na forma de pagamento diferenciada para a impulsionar as vendas. Oficialmente, o que se tem é apenas o adiamento decretado pela gestão municipal. Durante o final de seu mandato, o prefeito ACM Neto falou que existia uma possibilidade do Carnaval 2021 ser em julho, assim como nas duas principais cidades do país.

"Somente com a vacina e com a garantia da segurança da imunidade é que a gente poderá voltar a discutir os eventos. Infelizmente, eu acho que o calendário de eventos de todo o verão, daqui de Salvador, vai estar comprometido", disse Neto, na ocasião.

Figurinha carimbada no Carnaval de Salvador, Bell Marques revelou na quinta-feira (7/1) que não acredita na realização da Festa de Momo ainda neste ano. A observação aconteceu durante o anúncio de uma live que será realizada no domingo de Carnaval. O artista vai iniciar a transmissão às 16h, que é o horário em que seu bloco, o Camaleão, tradicionalmente sai no circuito Barra/Ondina.

"Prepare o seu abadá porque eu tenho uma surpresa para vocês. Eu já estou preparado: guitarra, bermuda, camiseta e bandana. Esta foi a roupa que eu usei no último Carnaval, no domingo do Camaleão. Todos nós sabemos que não vai haver carnaval em 2021, mas no domingo de Carnaval de 2021 nós vamos fazer o nosso Carnaval: a nossa live", disse o cantor.

VACINA 

Também na quinta-feira (7/1), o Butantan anunciou que a Corona Vac, a vacina contra o novo coronavírus desenvolvida pela farmacêutica chinesa Sinovac em parceria com o instituto, tem uma taxa de eficácia de 78% na prevenção da Covid-19. O Ministério da Saúde se manifestou, afirmando que o governo deverá distribuir até 100 milhões de vacinas ao longo deste ano e que a campanha de vacinação deve começar no dia 21 de janeiro.

"O Butantan, se não é o primeiro, é o segundo maior fornecedor do Ministério. Compramos algo em torno de R$ 2 bilhões em vacinas do Butantan por ano, somos o grande cliente do Butantan, que é uma instituição de Estado", enfatizou o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, que também exaltou a relação do governo com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Cada estado terá que garantir um contingente de profissionais de saúde treinados em todas as cidades para a aplicação adequada das doses da vacina. Além disso, para começar a campanha é preciso organizar quem, quando, onde e como cada pessoa receberá a imunização. O prefeito de Salvador, Bruno Reis (DEM), e o governador da Bahia, Rui Costa (PT), divulgaram que a expectativa é que a imunização comece na Bahia em fevereiro.

O atual prefeito, inclusive, respondeu a um seguidor nas redes sociais nesta sexta (8/1) que a festa só vai acontecer quando a vacinação for concluída.

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FASES 

Mesmo que de fato a campanha comece em 30 dias, vale lembrar que o plano de vacinação terá quatro fases: a primeira voltada para o grupo de prioridade, como trabalhadores de saúde, pessoas de 75 anos ou mais e idosos em asilos, bem como povos indígenas.

Na segunda fase, a imunização será focada nos idosos de 60 a 74 anos. Já na terceira fase estarão pessoas com comorbidades, condições médicas que também favorecem um agravamento do quadro a partir da Covid-19.

A quarta etapa da campanha vai focar em professores, forças de segurança, trabalhadores do sistema prisional e pessoas privadas de liberdade. Só depois da conclusão dessas etapas é que a população em geral poderá receber a sua dose, ou seja, nada garante que todos estejam imunizados em julho e que uma festa como o Carnaval não agregue riscos à saúde pública.

PRAZO 

De acordo com o médico de referência em infectologia do Hospital Aliança, Adriano Oliveira, a realização de um evento de grande porte como o Carnaval está sujeita ao percentual da população vacinada e à eficácia da vacina.

"Qualquer previsão está sujeita a ser revista nesse caso. Depende de qual vacina será usada, quanto da população estará imunizada até esse momento e quanto de eficácia terá essa vacina a curto prazo. Arrisco-me a achar que julho é muito cedo diante de tantas incertezas e variáveis", explicou Oliveira.

O médico esclareceu ainda que pelo menos 70% da população no Brasil deve estar imunizada para termos um ambiente "mais seguro", ressaltando, no entanto, que a durabilidade da imunização ainda é desconhecida. Para ele, é necessário aguardar um período maior para observar a resposta da vacina.

"A ciência se faz com acúmulo de dados de experimentaação. Isso leva tempo. Infelizmente, não teremos essa resposta ainda nesse semestre", disse.