Nesta última quinta-feira (8/3), cientistas do Instituto de Tecnologia de Masachussetts (MIT, na sigla em inglês), dos Estados Unidos, publicaram na revista Science uma nova pesquisa sobre as polêmicas ‘Fake News’. No estudo – o maior já realizado sobre o assunto na internet -, aborda-se que as informações falsas têm 70% mais chances de viralizar que as notícias verdadeiras e alcançam muito mais gente.

Para se ter ideia, cada postagem autêntica atinge, em média, mil pessoas, enquanto as postagens falsas mais populares – aquelas que estão entre o 1% mais replicado – atingem de mil a 100 mil pessoas. Mas qual seria o combustível para tanto? Anteriormente, pensava-se que “o motor da mentira na internet” seria composto, basicamente, por robôs, que replicariam as mensagens falsas das redes sociais. No entanto, há muito mais do que isso.

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É o que garante Pablo Ortellado, professor de Gestão de Políticas Públicas da USP e colunista da Folha de São Paulo. Para ele, o que torna as notícias falsas “virais” é o fato de explorar, principalmente, o apelo a sentimentos políticos das pessoas. Desta forma, são as próprias ‘vítimas’ que, levadas por sentimentos de surpresa, repulsa e medo,  acabam compartilhando as “fake news” de forma abundante.

Ainda na ótica de Ortellado, a principal conclusão do estudo publicado na Science “não é que a mentira se espalha mais rápida que a verdade”, mas sim que “coisas que apelam a sentimentos políticos (e outras emoções) se difundem mais rapidamente.”

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“As notícias falsas são desenhadas para atingir o coração dos sentimentos fortes.. de medo, rejeição e surpresa. Mas as notícias verdadeiras disputam com elas, os jornalistas sabem que se tocarem no sentimento das pessoas, vão ter compartilhamento maior”,  ressalta Ortellado.

SEM CONTROLE?

Cada postagem verdadeira atinge, em média, mil pessoas, enquanto as postagens falsas mais populares – aquelas que estão entre o 1% mais replicado – atingem de mil a 100 mil pessoas. Em meio a tal dilema, especialistas estão convocando a comunidade científica internacional para realizar um esforço interdisciplinar de pesquisas.

O intuito é estudar as forças sociais, psicológicas e tecnológicas por trás das “fake news”, a fim de desenvolver um novo ecossistema de notícias e uma nova cultura que valorize a promoção da verdade.

Segundo eles, os métodos dos disseminadores de notícias falsas estão cada vez mais sofisticados e é preciso partir para o combate. Eles dizem ainda que empresas como Google, Facebook e Twitter têm “responsabilidade ética e social que transcende as forças do mercado”.

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“Esse artigo (que está sendo feito) é um apelo a grupos de todo o planeta – acadêmicos, jornalistas e a indústria privada – para que trabalhemos juntos no enfrentamento desse problema”, disse ao Estadão, Filippo Menczer, professor de Engenharia e Computação da Universidade de Indiana. Ao jornal paulista, o educador foi além:

“A principal mensagem é que as notícias falsas são um problema real, um problema difícil e um problema que requer pesquisa séria para ser resolvido. Os disseminadores de notícias falsas estão utilizando métodos cada vez mais sofisticados. Se não tivemos informação quantificável sobre o problema, não conseguiremos desenvolver intervenções que funcionem”, cravou Menczer.

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