O líder do movimento que disse ter deflagrado greve da Polícia Militar na terça-feira (8/10), deputado Marco Prisco, é investigado pela Polícia Civil por possíveis desvios na Associação de Praças da PM (ASPRA) - instituição que ele coordena -. A denúncia foi feita por um praça (hierarquia entre soldado e subtenente) em 2015 e, até hoje, segue em segredo pela complexidade nas investigações. 

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O Aratu On teve acesso ao documento que comprova a queixa, prestada no Departamento de Repressão e Combate ao Crime Organizado (Draco). O militar que resolveu ir à polícia tem medo de se identificar hoje por conta do movimento que está sendo costurado por Prisco. Nele, existe uma tensão pela paralisação da tropa, mesmo com as garantias dada pelo governo baiano. 



O militar foi localizado pela reportagem do Aratu On e aceitou ser entrevistado sob a promessa de que não teria o nome revelado. 

VEJA PONTOS DA ENTREVISTA:  

Por qual motivo o senhor denunciou Prisco à Polícia Civil?

Alguns fatos nos levam a fazer uma denúncia ou apontar possíveis desvios de pessoas ou autoridades. No caso das denúncias referentes à ASPRA, por entender a importância da entidade para os policiais e seus dependentes, por ter indícios claros que o Prisco estava utilizando dos recursos para si e entender que 15 mil policiais não poderiam continuar sendo usados e enganados.

O senhor foi associado da Aspra. O que presenciou lá dentro para desacreditar na instituição?

Ainda sou associado. Conheci os fundadores, que são pessoas inteligentes e profissionais que buscam o melhor para a corporação, porém ficou claro nas atitudes do Prisco que ele não queria que essas pessoas conduzissem a associação para o nível de debate inteligente e independente. Usou para se eleger e assim o fez: unificou gabinete e associação sob o comando dele

Quem é Marco Prisco?

Apenas conheci como um soldado que tem suas raízes nos movimentos sindicais. Na época ele era apoiado pelo Partido dos Trabalhadores.

O senhor participou de movimentos grevistas. O que fez desacreditar nesses movimentos?

Estou na corporação desde 1993, vi um movimento intenso em 2001, vi o Movimento Polícia Legal, vi em 2012 e 2014, não existe possibilidade de nenhum policial que nesses anos não tenham participado de alguma forma de um desses movimentos.

Acredito em um movimento de fortalecimento político da categoria, que o Prisco trabalhou para não acontecer e ele ser sempre o centro das atenções. Sem o movimento político e democrático as Polícias do Brasil não conseguiram ter suas demandas atendidas, claramente por imposição legal que é restringindo por estatutos e leis dos anos 40. Precisamos sim trazer as polícias para pós 88 e aí sim melhorar suas condições.

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