Antônio Cruz Moreira Neto, 39 anos, que foi encontrado morto nesta quinta-feira (21/3) junto com o filho, Pedro Eloy, no estacionamento de um hotel no bairro do Caminho das Árvores, em Salvador, já tinha sido preso por não cumprir uma medida protetiva concedida em favor da mãe da criança, que não terá o nome divulgado nesta reportagem.

Documentos obtidos pelo Aratu On mostram que a mulher fez o pedido contra o ex-companheiro em 2016 por, conta do que chamou de "agressões morais e psicológicas". Em junho daquele ano, a autoridade determinou o "afastamento imediato do lar e manutenção de uma distância de 300 metros da ofendida".

Após a prisão do rapaz, os seus advogados recorreram ao Superior Tribunal de Justiça. "[...] Não há nenhum elemento em seu desfavor que indique a possibilidade de que, hipoteticamente, este venha a cometer outras infrações penais", escreveu a defesa ao ministro Félix Fischer. Não há a data exata de quando ele foi detido.

"Uma medida cautelar sem processo criminal iniciado ou com possibilidade de se iniciar, verdadeira 'alma penada', pois se não existiu crime como o próprio Ministério Público asseverou no pedido de arquivamento do inquérito não há razões para a manutenção", argumentaram, ainda, os dois advogados que assinam o pedido.

Naquele mesmo ano, o magistrado acatou o pedido e determinou a soltura de Antônio, mas fez um alerta: "caso, no futuro, seja constatada a existência de perigo ou ameaça à incolumidade física, psicológica, sexual, patrimonial e/ou moral da suposta vítima, não existe óbice a que requeira aplicação de nova medida judicial [...]".


Antônio era separado da mãe de Pedro, que tinha 5 anos. A informação foi dada ao Aratu On, em anonimato, por pessoas que conheciam o casal. As fontes asseguram que o jovem era o único filho de Antônio e da então esposa. A separação dos dois já havia sido resolvida na Justiça, com a separação dos bens.

Outro processo, por conta da pensão de Pedro, também tramitou nas varas de família. Por ser uma ação que requer segredo, os detalhes não poderão ser divulgados nesta reportagem.

 

CASO

Era por volta das 8h30 quando Antônio e Pedro foram encontrados mortos no estacionamento do hotel. De acordo com a Polícia Militar, agentes da 35ª Companhia Independente (CIPM/Iguatemi) foram chamados via Centro Integrado de Comunicação (Cicom). Chegando no local, encontram as vítimas, que já estavam mortas.

Há três versões para o caso. A primeira delas atesta que Antônio jogou a criança pela janela e, em seguida, se jogou, o que configuraria um homicídio seguido de suicídio. A outra hipótese diz que os dois caíram juntos do apartamento, em uma ação planejada. Já a última aponta que Antônio tentou resgatar o filho da janela, quando acabou caindo.

 

Em nota, a assessoria da Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA) informou que o caso está sendo investigado pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Além disso, de acordo com o texto, funcionários do hotel prestaram esclarecimentos e familiares serão ouvidos nos próximos dias. A causa e motivação do crime são desconhecidas.

O quarto em que pai e filho estavam passou por perícia momentos depois da ação, mas o Departamento de Polícia Técnica (DPT) também não deu detalhes sobre o que foi encontrado. Os corpos de Antônio e Pedro foram levados para o Instituto Médico Legal (IML) de Salvador. Até o final da tarde desta quinta-feira, familiares já haviam comparecido ao local para os procedimentos de praxe.

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