Do Linha de Frente

Se existisse um Cartola da política, os técnicos Jair Bolsonaro e Rui Costa estariam com os times montados: ministérios e secretariado completos, dentro das quatro linhas, com a bola rolando durante quatro anos. A escolha dos titulares seguiria o critério da ofensiva, para uns, e da defensiva, para outros.

Aproveitando o clima de Copa do Nordeste, o blog Linha de Frente armou o esquema tático da partida que vai durar mais (muito mais) do que a ‘Lampions League’.

BOLSONARO FC

1. Jair Bolsonaro escalou Carlos Alberto dos Santos Cruz para jogar na Secretaria de Governo, órgão que tem status de ministério. A principal missão do general-de-divisão será a articulação com o Congresso e com partidos políticos e o diálogo com estados e municípios. É também através da Secretaria de Governo que o presidente estabelecerá relações com organizações civis e entidades representativas da juventude.

2. Fora do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, que é advogada de formação, passa o tempo exercendo a função de pastora e já deixou claro que terá como prioridade as políticas públicas para mulheres, fazendo declarações polêmicas nos primeiros minutos do primeiro tempo. Damares propôs, ainda, um pacto nacional pela infância.

3. Ernesto Araújo cuidará das Relações Exteriores do governo Bolsonaro. A principal jogada de Araújo está na experiência: ele é diplomata há 29 anos e diretor do Departamento de Estados Unidos, Canadá e Assuntos Interamericanos do Itamaraty.

4. A Secretaria Geral da Presidência tem como titular o conselheiro do presidente, Gustavo Bebianno, advogado e faixa preta de jiu-jitsu. Bebianno ficará responsável pelo relacionamento e articulação com as entidades da sociedade civil e a criação e implementação de instrumentos de consulta e participação popular de interesse do poder Executivo e pela elaboração da futura agenda do presidente.

5. Jogando em parceria com a Secretaria de Governo, a Casa Civil é responsável por estar por dentro das principais políticas públicas dos demais ministérios, fazer articulações e auxiliar as decisões do presidente. O artilheiro da pasta é Onyx Lorenzoni, médico veterinário e quatro vezes deputado federal, além de relator do pacote de medidas de combate à corrupção na Câmara.

6. Paulo Guedes é a inovação do time treinado por Bolsonaro. No novo Ministério da Economia, o economista defende a menor participação possível do Estado na economia. Guedes é fundador do Instituto Millenium, sócios do Grupo Bozano, que administra R$ 2,7 bilhões em fundos de investimentos tradicionais e de private equity.

7. Quem assume a vaga de titular no Ministério do Meio Ambiente é Ricardo de Aquino Salles, que pretende respeitar o setor produtivo, posicionamento alinhado às expectativas do presidente eleito, que defende maior aproximação do ministério com os ruralistas e o fim do que chama indústria de multas do Ibama.

8. Roberto Campos Neto joga na posição do Banco Central, que possui status de ministério. Economista, o titular é responsável pelo controle da inflação, aumento e diminuição dos juros.

9. Quem ficou com a responsabilidade de fazer gols no Ministério da Justiça foi Sérgio Moro. Ele ganhou destaque durante a Operação Lava Jato, comandando a 13ª Vara Criminal Federal de Curitiba. Foi Moro quem proferiu a condenação do ex-presidente Lula, sendo a primeira vez na história do Brasil que um ex-presidente foi condenado criminalmente.

10. Na Defesa está Fernando Azevedo e Silva, general do Exército e ex-chefe do Estado Maior.  Silva deverá exercer a direção das Forças Armadas, constituídas pela Marinha, Exército e Aeronáutica.

11. General Augusto Heleno chegou a ser cotado para ser vice de Bolsonaro durante a campanha eleitoral, mas foi confirmado e alocado no Gabinete de Segurança Institucional, parte da gestão que também é muito ligada ao governo.

No banco, estão: André Luiz de Almeida Mendonça (Advocacia-Geral da União), Bento Costa Lima Leite (Minas e Energia), Gustavo Canuto (Desenvolvimento Regional), Luis Henrique Mandetta (Saúde), Marcelo Álvaro Antônio (Turismo), Marcos Pontos (Ciência e Tecnologia), Osmar Terra (Cidadania e Ação Social), Ricardo Vélez (Educação), Tarcísio Gomes de Freitas (Infraestrutura), Tereza Cristina (Agricultura) e Wagner de Campos Rosário (Transparência, Fiscalização e CGU).

RUI FC

Do lado de cá a escalação é um pouco incerta. O governador Rui Costa ainda não anunciou quem fará parte do seu secretariado neste segundo mandatoe deverá fazer isso até o final de janeiro. Mas, até então, Rui conta com um time que, segundo o próprio, é ‘correria’.

1. O titular da Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização (Seap), Nestor Duarte, é titular também no time do governo Rui Costa. A questão da segurança pública no estado é uma bola na trave da gestão petista e, há sete anos, Duarte tenta ajudar o time.

2. Walter Pinheiro é jogador no time de Rui pela Secretaria da Educação (Sec). Em 2018, a pasta registrou o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) abaixo da meta anual e deu visibilidade a uma fragilidade do governo.

3. Bruno Dauster joga na posição de secretário da Casa Civil do governo Rui Costa e vai permanecer pelos próximos anos de partida.

4. Manoel Vitório assumiu a Secretaria da Fazenda e vai continuar jogando nessa posição nos quatro anos de governo, já garantiu o próprio técnico.

5. Fábio Villas-Boas está a frente da Secretaria da Saúde e tem sido lembrado pelas marcações da fila de regulação, processo do Sistema Único de Saúde (SUS) que divide opiniões.

6. Luiza Maia, da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, também joga no time de Rui Costa.

7. A Secretaria da Administração joga com Edelvino Goes na Saeb.

8. Entre os 90 minutos de jogo, Rui substituiu o ex-secretário da Cultura, Jorge Portugal, por Arany Santana, que também deve seguir na pasta.

9. Demir Barbosa integra o tima pela Secretaria de Desenvolvimento Urbano.

10. O artilheiro na frente do gol é Maurício Barbosa, camisa 10, que está no time desde antes do governo Rui Costa. A grande movimentação nesse time gira em torno da substituição ou não do atual titular da Secretaria de Segurança Pública. Há uma torcida pela saída de Barbosa da secretaria baseado no crescimento dos índices de violência no estado.

11. Antônio Henrique Moreira fecha a escalação na Secretaria de Planejamento (Seplan).

No banco, estão: Andréa Mendonça (Secretaria da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura), Rodrigo Hita (Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação), Paulo Cezar Lisboa (Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social), Jerônimo Rodrigues (Secretaria de Desenvolvimento Rural), Marcus Cavalcanti (Secretaria de Infraestrutura), Geraldo Reis (Secretaria do Meio Ambiente), Fabya dos Reis (Secretaria de Promoção da Igualdade Racial), Vicente Neto (Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte), José Alves (Secretaria de Turismo), Cibele Carvalho (Secretaria de Relações Institucionais), Julieta Palmeira (Secretaria de Políticas para as Mulheres) e Cássio Peixoto (Secretaria de Infraestrutura Hídrica e Saneamento).

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